Novo projecto, bolachas (de sésamo, fiquei a adorar a receita) e leitura. Ainda que as férias acabem já segunda...
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sábado, 7 de fevereiro de 2015
domingo, 14 de abril de 2013
À luz do candeeiro...
EU HEI DE AMAR UMA PUTA
"-Sim, é um misto entre um título do António Lobo Antunes e a vida. A vida é uma puta - respondia ele sentindo um fio de revolta a asfixiá-lo.
Algo entre um sorriso e um suspiro soltou-se da face dela. Argumentou
-A vida não é uma puta, nós é que somos. Aqui andamos: vivemos, amamos, odiamos, encontramo-nos, perdemo-nos. Aqui andamos a ser fodidos pela vida e o pior é que gostamos. Arranjamos sempre maneira de falar mal dela, mas a verdade é que não temos coragem para acabar com ela. E quando a vemos a fugir-nos pelos dedos pedimos aos anjos e aos santos só mais cinco minutos."
Não sendo, de todo, um livro fantástico, tem uma leitura leve e agradável que nos permite lê-lo com prazer. Tal como o próprio autor refere, é um "ensaio sobre a solidão", onde as personagens, Pedro e Alice, vivem tão centradas em si mesmas que quase não se encontram mais personagens (pelo menos nenhuma com um desenvolvimento psicológico denso)
. E, na minha opinião, peca por isso. Torna-o numa história de amor barata e igual a tantas outras, quando Pedro Rodrigues (cujo blogue acompanho há já algum tempo) tem capacidade para bastante mais.
Gostei do título. Sugestivo, aponta para o facto de a personagem Pedro (que me parece que acaba por ser um modelo do autor, copiando-o até no nome) pretender também um dia escrever um livro para o qual já escolheu um título; precisamente: "Eu hei de amar uma puta".
No entanto, é de notar que este é o primeiro grande trabalho do autor, e por isso merece reconhecimento. Espero que, ao longo dos tempos, consiga melhorar a sua já bela escrita e nos presenteie com uma obra que ultrapasse o mediano e que prove que há muitos jovens portugueses com demasiado talento para ficarem esquecidos.
Algo entre um sorriso e um suspiro soltou-se da face dela. Argumentou
-A vida não é uma puta, nós é que somos. Aqui andamos: vivemos, amamos, odiamos, encontramo-nos, perdemo-nos. Aqui andamos a ser fodidos pela vida e o pior é que gostamos. Arranjamos sempre maneira de falar mal dela, mas a verdade é que não temos coragem para acabar com ela. E quando a vemos a fugir-nos pelos dedos pedimos aos anjos e aos santos só mais cinco minutos."
Pedro Rodrigues - Eu hei de amar uma puta
domingo, 3 de março de 2013
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
À luz do candeeiro
SINOPSE
Esta é uma das obras mais conhecidas e controversas do século XX e conta a história de Humbert Humbert, um professor universitário enfadonho e de meia-idade. A sua obsessão por Lolita de 12 anos suscita algumas dúvidas relativamente ao seu carácter: estará ele apaixonado ou tratar-se-á de um louco? Um poeta eloquente ou um pervertido? Uma alma torturada e sofrida ou um monstro? Ou será que Humbert Humbert não será apenas uma mistura de todas estas personagens? Lolita é certamente o romance mais conhecido de Nabokov, mas também por se tratar de uma obra-prima que provocou, à data da sua publicação, um enorme escândalo pela forma como o autor tratava o tema de uma paixão entre um homem maduro e uma adolescente provocante.
Hoje, que essa aura de escândalo parece ter-se dissipado, o livro, publicado originalmente em 1955, vale por aquilo que é: um verdadeiro clássico da literatura do século XX.
Como obviamente a Saga se leu em duas ou três tardes, fui
lendo também outro livro. O conhecido e controverso Lolita, de Nabokov. Já andava
para o ler há cerca de três anos, mas havia sempre alguma coisa que me fazia
escolher outro livro antes… Desta vez decidi mesmo lê-lo. Devo dizer que a
edição que a Biblioteca Municipal tem peca imenso pela capa escolhida (e não consegui encontrá-la na Net...). Dá um ar
de romance erótico barato, quando o livro é muito, muito mais do que isso. É um
livro que me deixa com sentimentos antagónicos. Se por um lado somos obrigados
a reconhecer a genialidade do escritor ao enredar toda aquela história,
exprimindo tão bem os sentimentos das personagens e mostrando como se pode ser
tão controlado pelo amor, a natureza desse mesmo amor é repugnante, não nos
deixa estabelecer laços com H.H., como é habitual num romance casual. Talvez seja
exactamente isso, associado ao facto de tratar temas tabu que fazem do Lolita
um livro tão conhecido e comentado. Em suma, é um livro forte (a determinada
altura cheguei a pensar que fosse até forte demais para mim) mas, tal como é
referido logo no prefácio, não é escandaloso, na medida em que não usa vocabulário
ordinário nem descreve cenas eróticas. Se há algo nele para que o possamos
classificar de “escandaloso” será sem dúvida a temática que desenvolve, mas nem
outra coisa seria de esperar.
“Penso em auroques e anjos, no segredo dos pigmentos duráveis,
em proféticos sonetos, no refúgio da arte. E essa é a única imortalidade que tu
e eu podemos compartilhar, minha Lolita.”
À luz do candeeiro
No final de Janeiro, e por causa de uma conversa com o meu
padrinho de praxe (que me disse, todo feliz, ter encontrado o Tio Patinhas no
Continente), decidi (re)ler a fantástica BD “A Saga do Tio Patinhas”. Li-a
quando saiu em Portugal, em 2002, e lembro-me que, apesar de ter adorado as
aventuras do “Pato mais rico do mundo”, as partes introdutórias de cada
capítulo, com comentários do escritor Don Rosa e imensas referências às
aventuras de Barks me tinham provocado um certo enfado. De resto, havia também
muitos pormenores de que já não me lembrava. Assim, ao reler a Saga, foi um
redescobrir sucessivo de factos deliciosos sobre a vida e as aventuras de uma
das personagens da minha infância. Desta vez não achei os comentários
enfadonhos. Oh, não! Eles enquadram cada capítulo numa determinada época
histórica, com referências a factos reais. Mostram o trabalho meticuloso que
Don Rosa efectuou, certificando-se que tudo encaixava com a personagem criada
por Carls Barks. Para mim é sem dúvida a mais completa BD que já li. Merece que
seja relida várias vezes e não que fique esquecida na estante, juntamente com
todos os outros livros das personagens de Barks e de outros cartoonistas, onde
(infelizmente) a tinha deixado há quase 11 anos…
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Espelho da alma vai para...
"Adoramos a perfeição, porque a não podemos ter; repugná-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito.
O ódio surdo ao paraíso - o desejo como o da pobre infeliz de [que] houvesse campo no céu. Sim, não são os êxtases do abstracto, nem as maravilhas do absoluto, que podem encantar uma alma que sente: são os lares e as encostas dos montes, as ilhas verdes nos mares azuis, os caminhos através de árvores e as largas horas de repouso nas quintas ancestrais, ainda que as nunca tenhamos. Se não houver terra no céu, mais vale não haver céu. Seja então tudo o nada, e acabe o romance que não tinha enredo.
Para poder obter a perfeição, fora precisa uma frieza de fora do homem; e não haveria então coração de homem com que amar a própria perfeição.
Pasmamos, adorando, da tenção para o perfeito dos grandes artistas. Amamos a sua aproximação do perfeito, porém a amamos porque é só aproximação."
Livro do desassossego - Bernardo Soares (Fernando Pessoa)
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Espelho da alma vai para...
"Os astros tombam um por um, cansados de nós. Nós olhamos, olhamos por algum tempo porque sem estrelas fica-nos grande o infinito e nada nos pára o olhar. Por essa altura, em algum sítio alguém pensa em gritar, mas não grita e acaba por fazer o que sempre faz."
No meu peito não cabem pássaros - Nuno Camarneiro
Espelho da alma vai para...
"Para que um corpo deitado se levante, é necessário erguer o tronco, depois apoiar os pés, exercer força nas pernas e atirar o peso para cima alavancando-o nos joelhos. É assim que um corpo se levanta.
Para que um homem parado inicie o movimento, deve primeiro procurar equilíbrio num só pé, enquanto levanta o outro, depois imprimir uma velocidade horizontal ao tronco e à bacia, enquanto o seu centro de gravidade descai até ser refreado pela outra perna, que se apoia no solo diante da primeira. É assim que um homem inicia o movimento.
É difícil, se não impossível, explicar como se passa do sono à vigília.
Mas o momento em que se transita de uma condição a outra é importante, e há muitas coisas que se entendem nesse momento e há decisões que se tomam nesse instante. Não se sabe sequer se é um instante ou uma eternidade porque não há como medi-lo, se no tempo do sono, se no da vigília."
No meu peito não cabem pássaros - Nuno Camarneiro
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Espelho da alma vai para...
"-Vai um pássaro a voar baixinho, tia, é lindo e vai perdido a voar. Aqui não é céu de pássaros. Tenho muito calor dentro de mim, tia, tenho calor a falta-me o ar. Leve o pássaro para a rua, lá para onde puder voar. No meu peito não cabem pássaros."
No meu peito não cabem pássaros - Nuno Camarneiro
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
À Luz do Candeeiro...
Ando a ler pouquinho, mesmo muito pouquinho... Mas o tempo também não é muito e, estando em Coimbra, encontro sempre coisas para fazer, o que me separa um bocadinho dos livros... Vou aproveitar então esta pausa- que de todo poderá ser chamada de "férias", mas enfim- para ler um bocadinho.
- É meia noite, chove e ela não está em casa - Ana e Isabel Stilwell
"Uma mãe que desaparece. O resgate, enviado pelo próprio pai, diz que ela só voltará se os filhos fizerem a cama todos os dias e não deitarem as toalhas molhadas para o chão. Os cinco irmãos reúnem-se e decidem não aceitar a chantagem e a pobre senhora é encarcerada num orfanato para mães abandonadas."
É um livro infanto juvenil, recheado de episódios caricatos, pais que não compreendem os filhos, filhos que nem se esforçam por compreender os pais e muitaas referências ao "Música no Coração". E assim se faz um livro! Foi a JP que o levou para Coimbra e comecei a lê-lo por piada, mas depois decidi continuar. É pequeno, de leitura muito simples, mas é fofinho, e até gostei de o ler.
- No meu peito não cabem pássaros - Nuno Camarneiro
"Que linhas unem um imigrante que lava vidros num dos primeiros arranha-céus de Nova Iorque a um rapaz misantropo que chega a Lisboa num navio e a uma criança que inventa coisas que depois acontecem? Muitas. Entre elas, as linhas que atravessam os livros. Em 1910, a passagem de dois cometas pela Terra semeou uma onda de pânico. Em todo o mundo, pessoas enlouqueceram, suicidaram-se, crucificaram-se, ou simplesmente aguardaram, caladas e vencidas, aquilo que acreditavam ser o fim do mundo.
Nos dias em que o céu pegou fogo, estavam vivos os protagonistas deste romance - três homens demasiado sensíveis e inteligentes para poderem viver uma vida normal, com mais dentro de si do que podiam carregar.
Apesar de separados por milhares de quilómetros, as suas vidas revelam curiosas afinidades e estão marcadas, de forma decisiva, pelo ambiente em que cresceram e pelos lugares, nem sempre reais, onde se fizeram homens. Mas, enquanto os seus contemporâneos se deixaram atravessar pela visão trágica dos cometas, estes foram tocados pelo génio e condenados, por isso, a transformar o mundo. Cem anos depois, ainda não esquecemos nenhum deles.
Escrito numa linguagem bela e poderosa, que é a melhor homenagem que se pode fazer à literatura, No Meu Peito não Cabem Pássaros é um romance de estreia invulgar e fulgurante sobre as circunstâncias, quase sempre dramáticas, que influenciam o nascimento de um autor e a construção das suas personagens."
Descobri este no Verão através do GoodReads e desde aí que o quero ler. O autor estudou Engenharia Física em Coimbra, o que me deixou com ainda mais vontade de o ler, devo admitir. O ES ofereceu-mo no Natal, e não poderia ter sido uma prenda melhor. Estou a adorar o livro :)
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Espelho da alma vai para...
"His heart beat faster and faster as Daisy's white face came up to his own. He knew that when he kissed this girl, and forever wed his unutterable visions to her perishable breath, his mind would never romp again like the mind of God. So he waited, listening for a moment longer to the tuning-fork that had been struck upon a star. Then he kissed her. At his lips' touch she blossomed for him like a flower and the incarnation was complete."
The Great Gatsby - F. Scott Fitzgerald
quarta-feira, 7 de março de 2012
Espelho da alma vai para...
"Atravessei a redacção navegando entre olhares esquivos, sorrisos torcidos e murmúrios em clave de fel. O tempo cura tudo, pensei, menos a verdade."
Carlos Ruiz Zafón, O Jogo do Anjo
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Espelho da alma vai para...
"A vida é feita de incertezas e de uma relação permanente com o desconhecido. Quantas vezes tomamos uma decisão sem ter toda a informação? Não é isso afinal o salto no escuro de que é feita a nossa existência? Quantos pequenos saltos no escuro não temos nós de dar todos os dias?"
José Rodrigues dos Santos - O Último Segredo
Nota: Acabei hoje (finalmente!) de ler este livro e... adorei! Amanhã devo começar «O Jogo do Anjo»
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