terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Espelho da alma vai para...


"Para que um corpo deitado se levante, é necessário erguer o tronco, depois apoiar os pés, exercer força nas pernas e atirar o peso para cima alavancando-o nos joelhos. É assim que um corpo se levanta.
Para que um homem parado inicie o movimento, deve primeiro procurar equilíbrio num só pé, enquanto levanta o outro, depois imprimir uma velocidade horizontal ao tronco e à bacia, enquanto o seu centro de gravidade descai até ser refreado pela outra perna, que se apoia no solo diante da primeira. É assim que um homem inicia o movimento.
É difícil, se não impossível, explicar como se passa do sono à vigília.
Mas o momento em que se transita de uma condição a outra é importante, e há muitas coisas que se entendem nesse momento e há decisões que se tomam nesse instante. Não se sabe sequer se é um instante ou uma eternidade porque não há como medi-lo, se no tempo do sono, se no da vigília."
No meu peito não cabem pássaros - Nuno Camarneiro

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Espelho da alma vai para...

"-Os amores deviam ser eternos, não deviam?

(Ela a aninhar-se no ombro dele. A sussurrar entre os cabelos.)

-Quem te garante que os amores não são eternos?

Na cabeça dele a pergunta dela não fazia sentido. Ele não acreditava na eternidade. Acreditava que tudo durava até um dia, mas acreditava também que as coisas são feitas da pequena eternidade que duram. Há eternidades nos segundos: o segundo de um beijo é eterno; o segundo de um amor é eterno. Tudo acaba um dia, mas tudo o que vale a pena, tudo o que nos faz realmente felizes, dura o tempo suficiente para nos parecer uma eternidade."

Retirado daqui.

"Educação Ateísta"

Ontem, quando estava na casa da minha avó, e para entreter o tempo, pus-me a ler o conhecido jornal'zito religioso do distrito, até que me deparo com uma "notícia" sobre o massacre na escola primária em Connecticut, que ocorreu recentemente. O título da tal "notícia" era "Educação Ateísta", o que me chamou a atenção. 
Então não é que que um senhor lá dos EUA veio dizer (e o autor da notícia a concordar com ele, obviamente) que"um controle mais rígido sobre os armamentos não irá impedir novas tragédias desse tipo, e que novos tiroteios não serão impedidos «a menos que se possa mudar o coração das pessoas»". Ora, até aqui tudo muito bem, o senhor tem alguma razão, e é preciso implementar valores de justiça desde cedo. Mas ele continua: "tragédias como a do tiroteio em Sandy Hook serão evitadas apenas formando as pessoas na lei de Deus, não aumentando o controle de armas" - não me venham com tretas, há que regulamentar o controlo de posse de armas sim! Não é apenas pela moral e bons costumes que vamos lá... Esses são fundamentais, concordo, mas não resolvem situações destas da noite para o dia. Além disso, "formando as pessoas na lei de Deus"?! Só os cristãos é que praticam boas acções, então... Oh, wait! Agora o título começa a fazer sentido! E daí para a frente é só um lamentar de a educação cristã quase ter sido banida das escolas públicas e que, sendo assim, não se podia esperar outra coisa se não que "as escolas se tivessem tornado um lugar para a carnificina". O mesmo senhor responsabiliza ainda a falta de VALORES RELIGIOSOS noutros massacres anteriores.

Sou só eu que acho que os chamados "valores religiosos" são simplesmente "valores humanos"? Aqueles que qualquer pai decente, seja ateu, cristão, judeu, ou de qualquer outra religião, tenta incutir aos seus filhos? Valores de responsabilidade social, justiça, solidariedade e outros que tais? Não é preciso ser-se da religião X ou Y para se agir de forma correcta! O que mais uma vez a religião me mostra é que se trata tudo de uma competição estúpida para apurar quem tem os melhores valores, quando no fundo, os valores deviam pertencer à humanidade em si e não aos deuses e aos santos...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Olá eletromagnetismo; olá dias passados na biblioteca

Entrei agora na minha conta do WeHeartIt, onde já não entrava há algum tempo. Parece que a minha última imagem (de que já nem me lembrava) foi há cerca de meio ano (ora, em junho e, portanto, em época de exames, tal como agora...) e era esta:
Sou mesmo boa com a auto-motivação (not...)! Mas enfim, o que era em junho, é-o agora novamente: OLÁ EXAMES!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Espelho da alma vai para...

"-Vai um pássaro a voar baixinho, tia, é lindo e vai perdido a voar. Aqui não é céu de pássaros. Tenho muito calor dentro de mim, tia, tenho calor a falta-me o ar. Leve o pássaro para a rua, lá para onde puder voar. No meu peito não cabem pássaros."
No meu peito não cabem pássaros -  Nuno Camarneiro

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

À Luz do Candeeiro...

Ando a ler pouquinho, mesmo muito pouquinho... Mas o tempo também não é muito e, estando em Coimbra, encontro sempre coisas para fazer, o que me separa um bocadinho dos livros... Vou aproveitar então esta pausa- que de todo poderá ser chamada de "férias", mas enfim- para ler um bocadinho. 


  • É meia noite, chove e ela não está em casa - Ana e Isabel Stilwell
"Uma mãe que desaparece. O resgate, enviado pelo próprio pai, diz que ela só voltará se os filhos fizerem a cama todos os dias e não deitarem as toalhas molhadas para o chão. Os cinco irmãos reúnem-se e decidem não aceitar a chantagem e a pobre senhora é encarcerada num orfanato para mães abandonadas."

É um livro infanto juvenil, recheado de episódios caricatos, pais que não compreendem os filhos,  filhos que nem se esforçam por compreender os pais e muitaas referências ao "Música no Coração". E assim se faz um livro! Foi a JP que o levou para Coimbra e comecei a lê-lo por piada, mas depois decidi continuar. É pequeno, de leitura muito simples, mas é fofinho, e até gostei de o ler. 

  • No meu peito não cabem pássaros - Nuno Camarneiro
"Que linhas unem um imigrante que lava vidros num dos primeiros arranha-céus de Nova Iorque a um rapaz misantropo que chega a Lisboa num navio e a uma criança que inventa coisas que depois acontecem? Muitas. Entre elas, as linhas que atravessam os livros. Em 1910, a passagem de dois cometas pela Terra semeou uma onda de pânico. Em todo o mundo, pessoas enlouqueceram, suicidaram-se, crucificaram-se, ou simplesmente aguardaram, caladas e vencidas, aquilo que acreditavam ser o fim do mundo.
Nos dias em que o céu pegou fogo, estavam vivos os protagonistas deste romance - três homens demasiado sensíveis e inteligentes para poderem viver uma vida normal, com mais dentro de si do que podiam carregar.
Apesar de separados por milhares de quilómetros, as suas vidas revelam curiosas afinidades e estão marcadas, de forma decisiva, pelo ambiente em que cresceram e pelos lugares, nem sempre reais, onde se fizeram homens. Mas, enquanto os seus contemporâneos se deixaram atravessar pela visão trágica dos cometas, estes foram tocados pelo génio e condenados, por isso, a transformar o mundo. Cem anos depois, ainda não esquecemos nenhum deles.
Escrito numa linguagem bela e poderosa, que é a melhor homenagem que se pode fazer à literatura, No Meu Peito não Cabem Pássaros é um romance de estreia invulgar e fulgurante sobre as circunstâncias, quase sempre dramáticas, que influenciam o nascimento de um autor e a construção das suas personagens."

Descobri este no Verão através do GoodReads e desde aí que o quero ler. O autor estudou Engenharia Física em Coimbra, o que me deixou com ainda mais vontade de o ler, devo admitir. O ES ofereceu-mo no Natal, e não poderia ter sido uma prenda melhor. Estou a adorar o livro :)